quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A maze in my mind.


Sofro com um fluido gelatinoso que faz girar o órgão que se chama labirinto.
Cada ser devasso que percorre na organicidade de cada humano,
Cada amargura que na pele se esvai,
Cada boneco feito de lã ou de papelão que se destroi,
É tudo fruto da minha mente.

Mente conspirante, maquinalmente fria e vil.
Fruto de minha mente são os tijolos que caem como a um prédio imensuradamente calculado.
Penas que voam e lastimavelmente não voltam mais.
Sol translúcido nas paredes das casas até o entardecer.

Tudo é motivo para que o fluido se mova e faça mover o labirinto.
As pessoas que passeiam no bosque,
Os velhos fumando seus charutos quase que melhores amigos de seu pulmão,
As crianças gritando com suas vozes estridentes,

Os carros com as buzinas ensurdecedoras,
As mulheres tão belas e provocantes,
A violência tomando conta do país,
A máquina de fazer dinheiro público fabricando
E não vejo a cor do real,
Os pássaros que gorjeiam.

Ah! Os pássaros.
Esses sim é que são felizes
Não sofrem de nenhuma doença
A não ser que não possam voar.
O quanto é ruim não poder voar.

Voar entontece,
Nadar entontece,
Dirigir entontece,
Falar entontece,
Pensar entontece.
Amar entontece.

A cura
Onde está a cura?
Onde se amparar?

Nas árvores para não cair,
No chão para não cair,
Nas paredes para não cair,
Na mesa para não cair,
Sentar para não cair.
Parar para não cair 
E por fim
Confiar em Deus para não cair.



terça-feira, 21 de setembro de 2010

Reciclagem


Ah! Seria tão bom se pudéssemos por nossos próprios méritos reciclar nossa alma, nossas vidas. Reiterar a paixão, o amor divinal que em nós nos resta, quase uma chama miúda a aquecer o corpo todo.

Pergunto se tal amor divinal em nós prepondera - obviamente que não.
Ao depararmos com um transeunte maltrapilho nas ruas das grandes cidades nos desviamos ou viramos o rosto, como se tudo fosse normal.

A verdade é que não, se eles estão lá é porque algum motivo tiveram para estar, se por opção ou por falta dela. Sociedade hípócrita, gente de religião vã.

Concupiscência é uma religião que aflora de norte ao sul do planeta.
Concupiscência global como forma de instituição.
Luxúrias legalizadas, drogas legalizadas, inferno legalizado.

Demagogos somos nós ao sorrir com a desgraça alheia e dizer que está tudo bem, tudo ótimo. Os políticos não são culpados sozinhos. Se são culpados boa parte da culpa é nossa .
Somos nós os piores políticos que podem existir, pois prometemos a nós mesmos melhorias- na vida, no lar, na família, na relação com o próximo, na relação com Deus. E não fazemos nada além de promessas.

Intrisecamente litúrgicos, naturalmente humanos.

Quero




Quero acordar tarde
Quero não fazer nada o dia todo
Quero pão com manteiga
Quero sombra e água fresca
Quero a mansidão do rios
Quero a maresia no meu rosto soprar
Quero família
Quero amigos
Quero Deus
Quero paz
Quero amor
Quero sorte
Quero tudo
Quero ser feliz.

Devo acordar cedo
Devo fazer tudo o que eu não fiz ontem
Devo fazer meu café
Devo trabalhar
Devo querer a agitação do mar
Devo a minha família
Devo aos amigos
Devo a mim
Devo a Deus
Devo disseminar a paz
Devo amar
Devo fazer a minha própria sorte
Devo tudo
Devo ser feliz.

Felicidade, objeto de estudo das cabeças pensantes.
Tão subjetiva.
Tão particular.
Recorrente
Ou ausente
Inconstante.

Amor é tudo
Divino
Espiritual.

Deus?
Fortaleza
Refúgio
Conforto
Tudo!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ser




















Somos seres imprudentes
Cheios de lástimas e lágrimas
Dores
Cânceres
Mágoas.

Quando queremos fazer o bem
Já é tarde, o mal está feito.

Seres passíveis ao erro
Tendentes ao rancor
Vísceras cortadas, pele surrada
Pés cobertos de sangue
E as culpas assoladas
Em cada consciente ser.

Culpas deixadas para trás
Recorrentes na medida do possível.
Preço pago ou dívida infinita.
Alto preço foi pago
Dívida infinita, essa é somente nossa
Individual.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Prazer de Viver


Viver é sorrir

Cantar
Dançar
Pular
Beijar
Viajar
Orar
Nadar
Pedalar
Sorrir
Gargalhar
Anunciar
Pedir a Deus
Clamar
Se animar.

Conversar com o alheio
Alegrar o alheio
Demagogar
Mas antes alegrar-se a si mesmo.

Tornar-se mágico
Ora o salário aqui não é lá essas coisas
Fazer simpatias
Fazer simpatias?
Viver no caos
Analisar o caos
Contornar o caos
Caos externo
Caos interior.

Ajudar o próximo
Amá-los
Amar a Deus antes de qualquer coisa
Entrar em greve
Entristecer
Chorar
Padecer
Padecer?
Buzinar
Curtir.

Dar a outra face
Afinal a outra já está surrada, não é mesmo?
Comer
Satisfazer
Se satisfazer
Impossível?
Não para quem crer.

Amar
Brincar
Plantar
Regar
Colher
Cozer, coser.

Costurar
Os remendos
As falhas
Renovar
Reconstruir
Cozinhar
Servir
Comer
Encher-se
Disseminar
Esvaziar-se
Sequência mais que óbvia.

De vez em quando fazer o inverso
Descer da árvore
Desce depressa!
O chamado é específico
Será o publicano?

Ensinar
Exortar
Admoestar
Vestir a carapuça
Não apenas vestir
Carregá-la
Transformá-la em cruz?

Rodopiar
Saltar
Conhecer o desconhecido
Conhecer o conhecido
Examinar
Automedicar
Comprar
Navegar
Mares nunca dantes navegados.

Mudar de rua
Mudar de rua!
Não de destino...

Até Quando




Até quando entrarei em meu quarto
E deparar-me-ei com a bagunça?
Até quando entrarei visceralmente em mim
E encontrarei as manchas do passado?
A consciência do presente?
Ou as incertezas do futuro?

Até quando olharei para fora da janela
E verei as imundícias
Que assolam o país?

Até quando assistirei cada injustiça
Tão absurdamente
Expostas
E anestesiado
Não poder fazer nada?

Cada rastro de sangue sobre o asfalto
E logo embaixo dele
As minhocas sendo alimentadas
Minuto a minuto

Cada barriga insaciada de fome
Cada inocente perdendo sua vida
Perdendo-a sem motivos aparentes
Ou seríamos nós perdendo
Nossas próprias vidas?

Crucificar todos os dias
Aquele que crucificado foi
Doença psicopatológica
Ser imoral
Irracional
Desconjuntura institucional
Ou desequilíbrio sócio-mental?
Anarquia Institucionalizada
Estatizada
Povos sem lei
Abutres
Sem regra
Sem rédea

Sem pause
Incontroláveis

Na grande massa se dissipam
Vergonha
Dor
Sofrimento

Paz
Onde fica?
No chão
Nas mãos
Nos pés
No coração
Lugar menos improvável para tal

Não há nada que detenha
A vil crueldade
Órfãos de pai e mãe terrenos
Mendigos
Luxuriantes
Inebriantes

Deus quando voltarás?
O tempo está próximo
Brincamos
Sem cessar
Inconscientemente
Jesus volta logo
Até quando esperar?

O sino da capela toca
A trombeta também
Os nenéns choram
As mães choram
As pedras clamam
E clamam
E clamam!

Ufa!
Até quando esperar?